quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Edição 1 - Editorial

Um jornal para Barão Geraldo

O Número Um


Dizem que é vã a vida do jornal impresso. Vã e fugaz: não dura um dia. O papel onde se imprimem notícias, artigos, fotografias e textos com arte ou sem arte alguma, no dia seguinte é papel de embrulho.

E, desde que o mundo é mundo, ou melhor, o jornal é jornal, dizem também que ‘papel aceita tudo’, ou seja, aceita coisas sérias e também as mais absurdas. Vida Vã, nosso novo jornal de Barão Geraldo, aceita todas estas verdades da sabedoria popular. Mas, se é para ser papel de embrulho, imprima-se num bom papel! Fizemos isso e tentaremos buscar cada vez melhores papéis e melhores ideias. Se as ideias duram um dia, que pelo menos sejam fortes e justas. E que o papel seja bom.

Há também uma conversa sobre o jornal impresso, que, supreenda-se!, já tem mais de 20 anos. Sucessivos arautos proclamaram o fi m desta mídia. Alguns chegaram a marcar a data: cinco anos, dez anos. Mas foi em vão. O último relatório do IVC (Instituto Verificador de Circulação), órgão que contabiliza os exemplares de jornais lidos no Brasil, demonstra que a circulação de jornais no país continua aumentando este ano, como ocorre ao longo dos últimos 25 anos. No primeiro semestre de 2011, a circulação de jornais impressos no Brasil atingiu nível recorde. O fenômeno é particularmente forte em nosso país, mas também acontece em outras regiões do mundo, contrariando o clima de velório que reina em setores da mídia impressa dos Estados Unidos.

Segundo a Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês), nunca se leu tanto jornal como agora. O crescimento tem sido contínuo nos últimos anos. A associação relaciona dez mitos que contradizem o fim do jornal impresso. Um deles é lindo e pegou pesado na equipe de Vida Vã: “O papel está morrendo. O futuro é digital e totalmente segmentado. Um jornal para cada leitor”. A contestação: ”A função do jornal é precisamente fazer o oposto: criar raízes na comunidade, unir, ser uma ferramenta para construir uma coletividade. O jornal é mais confortável que os outros meios”.

Vida Vã, o jornal de Barão Geraldo, gostou desta ideia.

Ah, e andam dizendo por aí que os jovens querem coisas muito leves, textinhos curtinhos, pois não estão ligados na leitura. Pouco texto, muita foto. Caramba, e como ficaria Harry Potter nessa “verdade”, com seus livros com centenas de páginas e nenhuma ilustração?

E dizem também que deveríamos fazer jornais bem tradicionais, porque os leitores são muito conservadores não gostam de mudanças. Será que os jornalistas conhecem realmente os leitores? Vida Vã, ou pelo menos seus editores, acham que os jornalistas é que são muito conservadores. Por isso, estaremos abertos à novas ideias.

E queremos fazer um jornal para a comunidade de Barão Geraldo. Que vire amanhã papel de embrulho (como nos canta e encanta Zeca Baleiro - e que acabou sendo a inspiração para a escolha do nome), pelo menos com um bom papel.

Abraço a todos, com imenso carinho de Vida Vã.

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