Pg 2 Editorial - Um jornal para Barão Geraldo
Pg 2 Crônica - As aves de Barão Geraldo
Pg 3 O jeito de ser Vila São João - um pedaço de Barão que circula pelo YouTube
Pg 4 Aldeia Brasil - Perigo na Floresta: padre italiano relata para Vida Vã as denúncias de utilização em larga escala do ´agente laranja´ na região amazônica que será alagada pela usina de Belo Monte
Pg 5 Opinião - Polêmica ou ignorância: discussão sobre livro didático só revela ignorância da grande imprensa
Pg 6 Buscador - E assim falava Baranauskas: Organização Mundial da Saúde alerta, pela primeira vez, sobre os graves riscos para a saúde que podem ser causados pelo uso do telefone celular
Pg 8 Dança - "Os Meninos do Barão" apresenta O Navio Negreiro: espetáculo encenado só por meninos dançarinos será apresentado no SESC Campinas e no Centro de Convivência
Pg 10 Roteiro
Pg 11 Especial - Vai um pastel aí?
Pg 12 Nossa Aldeia - Banca de Avenida Paulista em plena Santa Isabel
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Edição 1 - Editorial
Um jornal para Barão Geraldo
O Número Um
Dizem que é vã a vida do jornal impresso. Vã e fugaz: não dura um dia. O papel onde se imprimem notícias, artigos, fotografias e textos com arte ou sem arte alguma, no dia seguinte é papel de embrulho.
E, desde que o mundo é mundo, ou melhor, o jornal é jornal, dizem também que ‘papel aceita tudo’, ou seja, aceita coisas sérias e também as mais absurdas. Vida Vã, nosso novo jornal de Barão Geraldo, aceita todas estas verdades da sabedoria popular. Mas, se é para ser papel de embrulho, imprima-se num bom papel! Fizemos isso e tentaremos buscar cada vez melhores papéis e melhores ideias. Se as ideias duram um dia, que pelo menos sejam fortes e justas. E que o papel seja bom.
Há também uma conversa sobre o jornal impresso, que, supreenda-se!, já tem mais de 20 anos. Sucessivos arautos proclamaram o fi m desta mídia. Alguns chegaram a marcar a data: cinco anos, dez anos. Mas foi em vão. O último relatório do IVC (Instituto Verificador de Circulação), órgão que contabiliza os exemplares de jornais lidos no Brasil, demonstra que a circulação de jornais no país continua aumentando este ano, como ocorre ao longo dos últimos 25 anos. No primeiro semestre de 2011, a circulação de jornais impressos no Brasil atingiu nível recorde. O fenômeno é particularmente forte em nosso país, mas também acontece em outras regiões do mundo, contrariando o clima de velório que reina em setores da mídia impressa dos Estados Unidos.
Segundo a Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês), nunca se leu tanto jornal como agora. O crescimento tem sido contínuo nos últimos anos. A associação relaciona dez mitos que contradizem o fim do jornal impresso. Um deles é lindo e pegou pesado na equipe de Vida Vã: “O papel está morrendo. O futuro é digital e totalmente segmentado. Um jornal para cada leitor”. A contestação: ”A função do jornal é precisamente fazer o oposto: criar raízes na comunidade, unir, ser uma ferramenta para construir uma coletividade. O jornal é mais confortável que os outros meios”.
Vida Vã, o jornal de Barão Geraldo, gostou desta ideia.
Ah, e andam dizendo por aí que os jovens querem coisas muito leves, textinhos curtinhos, pois não estão ligados na leitura. Pouco texto, muita foto. Caramba, e como ficaria Harry Potter nessa “verdade”, com seus livros com centenas de páginas e nenhuma ilustração?
E dizem também que deveríamos fazer jornais bem tradicionais, porque os leitores são muito conservadores não gostam de mudanças. Será que os jornalistas conhecem realmente os leitores? Vida Vã, ou pelo menos seus editores, acham que os jornalistas é que são muito conservadores. Por isso, estaremos abertos à novas ideias.
E queremos fazer um jornal para a comunidade de Barão Geraldo. Que vire amanhã papel de embrulho (como nos canta e encanta Zeca Baleiro - e que acabou sendo a inspiração para a escolha do nome), pelo menos com um bom papel.
Abraço a todos, com imenso carinho de Vida Vã.
O Número Um
Dizem que é vã a vida do jornal impresso. Vã e fugaz: não dura um dia. O papel onde se imprimem notícias, artigos, fotografias e textos com arte ou sem arte alguma, no dia seguinte é papel de embrulho.
E, desde que o mundo é mundo, ou melhor, o jornal é jornal, dizem também que ‘papel aceita tudo’, ou seja, aceita coisas sérias e também as mais absurdas. Vida Vã, nosso novo jornal de Barão Geraldo, aceita todas estas verdades da sabedoria popular. Mas, se é para ser papel de embrulho, imprima-se num bom papel! Fizemos isso e tentaremos buscar cada vez melhores papéis e melhores ideias. Se as ideias duram um dia, que pelo menos sejam fortes e justas. E que o papel seja bom.
Há também uma conversa sobre o jornal impresso, que, supreenda-se!, já tem mais de 20 anos. Sucessivos arautos proclamaram o fi m desta mídia. Alguns chegaram a marcar a data: cinco anos, dez anos. Mas foi em vão. O último relatório do IVC (Instituto Verificador de Circulação), órgão que contabiliza os exemplares de jornais lidos no Brasil, demonstra que a circulação de jornais no país continua aumentando este ano, como ocorre ao longo dos últimos 25 anos. No primeiro semestre de 2011, a circulação de jornais impressos no Brasil atingiu nível recorde. O fenômeno é particularmente forte em nosso país, mas também acontece em outras regiões do mundo, contrariando o clima de velório que reina em setores da mídia impressa dos Estados Unidos.
Segundo a Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês), nunca se leu tanto jornal como agora. O crescimento tem sido contínuo nos últimos anos. A associação relaciona dez mitos que contradizem o fim do jornal impresso. Um deles é lindo e pegou pesado na equipe de Vida Vã: “O papel está morrendo. O futuro é digital e totalmente segmentado. Um jornal para cada leitor”. A contestação: ”A função do jornal é precisamente fazer o oposto: criar raízes na comunidade, unir, ser uma ferramenta para construir uma coletividade. O jornal é mais confortável que os outros meios”.
Vida Vã, o jornal de Barão Geraldo, gostou desta ideia.
Ah, e andam dizendo por aí que os jovens querem coisas muito leves, textinhos curtinhos, pois não estão ligados na leitura. Pouco texto, muita foto. Caramba, e como ficaria Harry Potter nessa “verdade”, com seus livros com centenas de páginas e nenhuma ilustração?
E dizem também que deveríamos fazer jornais bem tradicionais, porque os leitores são muito conservadores não gostam de mudanças. Será que os jornalistas conhecem realmente os leitores? Vida Vã, ou pelo menos seus editores, acham que os jornalistas é que são muito conservadores. Por isso, estaremos abertos à novas ideias.
E queremos fazer um jornal para a comunidade de Barão Geraldo. Que vire amanhã papel de embrulho (como nos canta e encanta Zeca Baleiro - e que acabou sendo a inspiração para a escolha do nome), pelo menos com um bom papel.
Abraço a todos, com imenso carinho de Vida Vã.
Edição 1 - Crônica
As aves de Barão Geraldo
É madrugada e os galos cantam. Quando a manhã se aproxima os sabiás vocalizam seus trinados matinais e logo as corruíras anunciam a manhã. Tico-ticos, sanhaços e outras aves, como os periquitos maracanãs com seus alaridos em bandos barulhentos. Até casais de papagaios costumam aparecer.
Outro dia, um tucano-toco apareceu comendo coquinhos de palmito juçara. É o maior da família dos tucanos. No Jardim Eulina, vi um filhote. Isto é muito promissor, pois são aves ameaçadas de extinção.
Aqui no Guará vocalizam joão-de-barro, choca, e há arrulhos de pomba branca. E também o onomatopaico fogo-apagou e os gritos do bem-te-vi e sabiá-poca. Ah, e o belo gaturamo
(amarelo com as asas azuis escuras) que fica brigado com o que considera seu rival, no reflexo do espelho dos carros. A saracura-três-potes canta seu nome na beira do ribeirão.
Também temos as dezenas de garças e biguás no Parque Ecológico Professor Hermógenes. E por falar em aves migratórias não podemos esquecer o símbolo da cidade, as andorinhas, que também fazem suas rasantes por aqui, quando chega o tempo. Os beija-flores dão um show à parte, como o tesourão de cauda bifurcada e do rabo-branco, que o folclore diz que anuncia visita, quando entra dentro de casa.
No céu voam urubus e algum gavião carcará. Nas áreas arborizadas, o matraquear do pica-pau anão e as batidas fortes do pica-pau grande de penacho vermelho. À tarde, ao anoitecer, as sabiás voltam a cantar. À noite, em certas épocas, ouve-se o grito lúgubre do urutau, ou mãe-da-lua e algum pio de corujinha. Os galos cantam e assim fecha-se o ciclo de mais um dia.
O distrito de Barão Geraldo tem aproximadamente 170 a 180 espécies de aves, contando as migratórias. É privilegiado pela Mata de Santa Genebra e bosques. Na área urbanizada há um bom número, em torno de 80 espécies. Um fator relevante é a arborização. Neste aspecto uma árvore indicada é pitangueira. Não é atacada por cupim, não cresce muito e carrega de frutinhas, apreciadas tanto pelas aves quanto pelos humanos.
---------------
Carlos Camargo, morador do Guará, é escritor e ornitólogo.
Carlos Eduardo Dias Camargo
É madrugada e os galos cantam. Quando a manhã se aproxima os sabiás vocalizam seus trinados matinais e logo as corruíras anunciam a manhã. Tico-ticos, sanhaços e outras aves, como os periquitos maracanãs com seus alaridos em bandos barulhentos. Até casais de papagaios costumam aparecer.
Outro dia, um tucano-toco apareceu comendo coquinhos de palmito juçara. É o maior da família dos tucanos. No Jardim Eulina, vi um filhote. Isto é muito promissor, pois são aves ameaçadas de extinção.
Aqui no Guará vocalizam joão-de-barro, choca, e há arrulhos de pomba branca. E também o onomatopaico fogo-apagou e os gritos do bem-te-vi e sabiá-poca. Ah, e o belo gaturamo
(amarelo com as asas azuis escuras) que fica brigado com o que considera seu rival, no reflexo do espelho dos carros. A saracura-três-potes canta seu nome na beira do ribeirão.
Também temos as dezenas de garças e biguás no Parque Ecológico Professor Hermógenes. E por falar em aves migratórias não podemos esquecer o símbolo da cidade, as andorinhas, que também fazem suas rasantes por aqui, quando chega o tempo. Os beija-flores dão um show à parte, como o tesourão de cauda bifurcada e do rabo-branco, que o folclore diz que anuncia visita, quando entra dentro de casa.
No céu voam urubus e algum gavião carcará. Nas áreas arborizadas, o matraquear do pica-pau anão e as batidas fortes do pica-pau grande de penacho vermelho. À tarde, ao anoitecer, as sabiás voltam a cantar. À noite, em certas épocas, ouve-se o grito lúgubre do urutau, ou mãe-da-lua e algum pio de corujinha. Os galos cantam e assim fecha-se o ciclo de mais um dia.
O distrito de Barão Geraldo tem aproximadamente 170 a 180 espécies de aves, contando as migratórias. É privilegiado pela Mata de Santa Genebra e bosques. Na área urbanizada há um bom número, em torno de 80 espécies. Um fator relevante é a arborização. Neste aspecto uma árvore indicada é pitangueira. Não é atacada por cupim, não cresce muito e carrega de frutinhas, apreciadas tanto pelas aves quanto pelos humanos.
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Carlos Camargo, morador do Guará, é escritor e ornitólogo.
Edição 1 - O jeito de ser Vila São João
Um pedaço de Barão que circula pelo YouTube
Morar na Vila São João é uma opção, um estilo de vida. Localizado entre a estrada da Rhodia e a avenida Santa Isabel, na região central de Barão Geraldo, o bairro se diferencia não só pelo fato de não ter asfalto, já que tantos outros também não têm, mas pela comunidade que ali vive e reforça as características iniciais do local.
Os moradores vivem em harmonia com as ruas de terra (e com todas as consequências que isso traz, como buracos, poeira e lama), com as enormes árvores e diversos animais que eventualmente aparecem por ali.
Porém, mais do que o contato com a natureza, o que chama a atenção é a mobilização das pessoas para a preservação do local, a união para ocupação e manutenção dos espaços públicos e a intensa convivência que existe entres eles.
O começo – Tudo na Vila começou com Maria Luiza Pedreira Passos Guedes – ou melhor, a Dona Lu, como era conhecida – e que logo na entrada da Vila deixou sua “marca”, decorando a praça com vitrais e bancos cuidadosamente instalados à sombra das copas das árvores. Um constante convite para o descanso e contemplação da natureza.
Outra característica está em várias casas, construídas com material de demolição, uma de suas paixões. Para entender um pouco da história da Vila São João e essa personalidade que foi a Dona Lu, o documentário “Vila São João: um retrato de DonaLu”, de Leandro Souza, é uma boa pedida. Disponível no Youtube, o documentário está dividido em duas partes - http://www.youtube.com/watch?v=lZZsFQ9ngOc e a segunda parte no link http://www.youtube.com/watch?v=qAu3edpMisA – e desde a postagem, em julho do ano passado, teve, até o fechamento desta edição, 778 visualizações.
Lugar mágico – “Vivo há onze anos na Vila. Um lugar mágico”, comenta Charles Leitão. "Vizinhos se conhecem, conversam e, geralmente, são amigos. Um barato. Professores, músicos, estudantes. Tudo se mistura”.
Adriana Arantes Ferreira reside no bairro desde 2004, e ela diz que tem uma relação de amor com a Vila. “No Verão enfrentamos o barro, umidade e, no Inverno, a seca nos trás o pó em demasia. Fora os animaizinhos estranhos que nos fazem uma visita vez ou outra. Mas a paisagem, o perfume, os sons dos pássaros, as pessoas transitando pela rua sempre com alto astral e disposição são inesquecíveis. Adoramos a ocupação dos espaços públicos que temos, com as duas praças”.
Documentário – Tamanho é o fascínio que a Vila desperta, em moradores ou não, que o bairro também foi o tema de um mini documentário produzido por uma turma do curso de Jornalismo da PUC Campinas (http://www.youtube.com/watch?v=bFY7ZCKT8q8&feature=youtu.be).
Nesse trabalho, moradores falam sobre o bairro, apresentam justificativas para se posicionarem contra o asfalto e o vídeo termina com o depoimento de uma das moradoras, Chris Cardoso, que, após citar coisas do cotidiano da Vila, conclui: “Gente, porque é que vou sair daqui?”
Morar na Vila São João é uma opção, um estilo de vida. Localizado entre a estrada da Rhodia e a avenida Santa Isabel, na região central de Barão Geraldo, o bairro se diferencia não só pelo fato de não ter asfalto, já que tantos outros também não têm, mas pela comunidade que ali vive e reforça as características iniciais do local.
Os moradores vivem em harmonia com as ruas de terra (e com todas as consequências que isso traz, como buracos, poeira e lama), com as enormes árvores e diversos animais que eventualmente aparecem por ali.
Porém, mais do que o contato com a natureza, o que chama a atenção é a mobilização das pessoas para a preservação do local, a união para ocupação e manutenção dos espaços públicos e a intensa convivência que existe entres eles.
O começo – Tudo na Vila começou com Maria Luiza Pedreira Passos Guedes – ou melhor, a Dona Lu, como era conhecida – e que logo na entrada da Vila deixou sua “marca”, decorando a praça com vitrais e bancos cuidadosamente instalados à sombra das copas das árvores. Um constante convite para o descanso e contemplação da natureza.
Outra característica está em várias casas, construídas com material de demolição, uma de suas paixões. Para entender um pouco da história da Vila São João e essa personalidade que foi a Dona Lu, o documentário “Vila São João: um retrato de DonaLu”, de Leandro Souza, é uma boa pedida. Disponível no Youtube, o documentário está dividido em duas partes - http://www.youtube.com/watch?v=lZZsFQ9ngOc e a segunda parte no link http://www.youtube.com/watch?v=qAu3edpMisA – e desde a postagem, em julho do ano passado, teve, até o fechamento desta edição, 778 visualizações.
Lugar mágico – “Vivo há onze anos na Vila. Um lugar mágico”, comenta Charles Leitão. "Vizinhos se conhecem, conversam e, geralmente, são amigos. Um barato. Professores, músicos, estudantes. Tudo se mistura”.
Adriana Arantes Ferreira reside no bairro desde 2004, e ela diz que tem uma relação de amor com a Vila. “No Verão enfrentamos o barro, umidade e, no Inverno, a seca nos trás o pó em demasia. Fora os animaizinhos estranhos que nos fazem uma visita vez ou outra. Mas a paisagem, o perfume, os sons dos pássaros, as pessoas transitando pela rua sempre com alto astral e disposição são inesquecíveis. Adoramos a ocupação dos espaços públicos que temos, com as duas praças”.
Documentário – Tamanho é o fascínio que a Vila desperta, em moradores ou não, que o bairro também foi o tema de um mini documentário produzido por uma turma do curso de Jornalismo da PUC Campinas (http://www.youtube.com/watch?v=bFY7ZCKT8q8&feature=youtu.be).
Nesse trabalho, moradores falam sobre o bairro, apresentam justificativas para se posicionarem contra o asfalto e o vídeo termina com o depoimento de uma das moradoras, Chris Cardoso, que, após citar coisas do cotidiano da Vila, conclui: “Gente, porque é que vou sair daqui?”
Edição 1 - Aldeia Brasil
Perigo na floresta
Padre italiano relata para Vida Vã as denúncias de utilização em larga escala do 'agente laranja’ na região amazônica que será alagada pela usina de Belo Monte
O ‘agente laranja’, um dos mais violentos agentes contaminantes da natureza fabricados pela indústria química, proibido de ser utilizado no mundo há mais de 30 anos, está sendo utilizado em larga escala no desmatamento da Amazônia, inclusive em extensa área da “Terra do Meio”, no Pará, região que será alagada pela Usina de Belo Monte.
A contaminação por dioxinas deixadas na natureza pelo ‘agente laranja’ são irreversíveis. O produto foi utilizado pelos Estados Unidos no Vietnã, na década de 1960, e as dioxinas permanecem até hoje no meio ambiente, em pessoas e animais. O câncer provocado por dioxinas atinge o DNA e é transmitido geneticamente.
A denúncia da utilização do ‘agente laranja’ na Terra do Meio foi formalizada, em julho passado, em fóruns nacionais e internacionais pela Corte Internacional do Meio-Ambiente, órgão ligado à Igreja Católica de Roma, na Itália, e com assento na ONU (Organização das Nações Unidas). As provas de sua utilização na floresta foram coletadas por um delegado internacional da Fundação, o padre Angelo Pansa, de origem italiana e com mais de 30 anos de trabalho junto à população indígena e moradores das regiões ribeirinhas do Pará.
A denúncia está formalizada também no Ministério Público Federal e já é investigada pelo Ministério Público Estadual do Ceará, onde uma fábrica de agrotóxicos teria produzido ilegalmente o ‘agente laranja’ para vender a grandes proprietários de terra da Amazônia. Coletas de material feitas na floresta pelo padre estão nas mãos de pesquisadores brasileiros, entre eles residentes em Barão Geraldo, e também italianos e alemães.
Primeiros indícios – Os primeiros indícios da utilização do ‘agente laranja’ na região foram coletados pelo padre Angelo em 2007. “Antes, ouvíamos falar de alguma substância utilizada como desfolhante por grandes fazendeiros em desmatamentos, e que provocava grandes estragos onde era lançada”, contou padre Angelo para Vida Vã.
Em julho de 2007, depois de receber denúncias de moradores, padre Angelo decidiu ir a um campo de pouso localizado às margens da Transiriri, uma estrada clandestina que liga o Rio Xingu ao Rio Iriri, no município de São Felix do Xingu, no Pará. Um avião, sem prefixo, pulverizava a mata há dias com um produto que desfolhava árvores e causava devastação enorme na região. Relatos semelhantes já haviam sido encaminhados a ele, em ocasiões anteriores e diferentes locais, por integrantes da prelazia de Tucumã, onde ele atuava como padre responsável.
“Fomos expulsos a tiros do local quando chegamos. Quando as pulverizações acabaram, voltamos lá, mas não conseguimos recolher nenhum material. Tudo havia sido queimado”, relata.
Na véspera do Natal daquele mesmo ano, agricultores o procuraram para denunciar que os mesmos produtos estavam sendo utilizados em outro local, dentro da mata. “Fomos de noite. Deixamos a caminhonete escondida e caminhamos mais de três horas pela mata, para não sermos vistos. No local, havia um grande número de embalagens, que descobriríamos depois ser do agrotóxico Nufarn 2,4-D. Mas havia vários sacos plásticos, sem identificação, que continham restos de um produto amarelo. A maioria dos sacos havia sido queimada, mas conseguimos pegar alguns deles. O produto amarelo, segundo os moradores, era misturado nos grandes frascos de Nufarn 2,4-D, antes da pulverização”.
Hospitalizado – O ‘agente laranja’, com a fórmula química 2,4,5-TDD, pode ser feito a partir de uma composição entre o 2,4-D e outro produto, o 2,5-T. “A suspeita era de que o as embalagens amarelas continham o 2,5-T”, diz.
Com os produtos na mão, ele foi direto para Belém, capital do Estado, mas chegou lá gravemente enfermo. “Embora eu tivesse usado luvas, aquelas longas horas de viagem com o produto no carro me contaminaram gravemente”.
Ele ficou hospitalizado, em coma, durante dias. Quando saiu, ainda enfermo, encaminhou o material ao procurador da República no Estado do Pará, Ubiratan Cazetta. O material foi encaminhado ao Instituto Evandro Chagas, que alegou não possuir habilitação técnica para fazer a análise e o remeteu ao Laboratório Analytical Solutions, com sede no Rio de Janeiro.
“O exame pericial não esclareceu se o material continha o 2,5-T. Eram necessários outros exames mais elaborados. Mas, por causa da contaminação, fiquei muito doente e tive que voltar para a Itália para me tratar”.
Denúncias graves – No final de 2010, padre Angelo voltou ao Brasil e descobriu que o processo havia sido, desde então, engavetado. Mas novas denúncias feitas por moradores da região eram ainda mais graves. O Nufarn 2,4-D, com o tal pó amarelo, continuava sendo utilizado em larga escala e agora já sem controle nenhum.
Em diligências, ele constatou que embalagens abandonadas eram amplamente utilizadas pelas populações ribeirinhas para armazenar água. Por lei, as embalagens devem ser devolvidas ao fabricante, que tem a obrigação de fazer o descarte adequado.
O padre descobriu ainda que no ano anterior, 2009, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) havia apreendido uma carga clandestina de 2,3 milhões de litros do agrotóxico Nufarn 2,4-D adulterado por uma substância desconhecida. A operação, realizada com apoio da Polícia Federal, ocorrera na fábrica da Nufarm Indústria Química e Farmacêutica, em Maracana, no Ceará, e era destinada a fazendeiros da Amazônia. “Até hoje não se sabe qual o produto colocado nesta carga e qual a adulteração provocada nela”, conta.
Escândalo – Com o escândalo das dioxinas na Alemanha, no começo de 2011, quando a contaminação de milhões de ovos provocou grande prejuízo a agricultores, as denúncias de padre Angelo ganharam impulso adicional e foram parar nas páginas da poderosa revista alemã Der Spiegel.
Em julho passado, com base em todo o material levantado desde 2007, padre Angelo, na condição de delegado da Corte Internacional do Meio Ambiente, impetrou em várias instâncias nacionais e internacionais um pedido formal de análise de terrenos, águas, produtos vegetais e animais provindos da área contaminada e também do sangue e urina de pessoas eventualmente atingidas pelos venenos, para detectar a presença de dioxinas.
A solicitação está protocolada junto aos governos do Brasil e da Itália. “Pedimos que as amostras sejam colhidas e encaminhadas a laboratórios internacionais, como Mari Negri, na Itália, que atuou quando ocorreu o desastre das dioxinas em Seveso e Milão”.
Padre Angelo tem certeza de que as análises comprovarão as denúncias. “É fundamental que tudo isso chegue ao conhecimento público, pois os interesses envolvidos são muito grandes e temo o abafamento do caso”.
Padre italiano relata para Vida Vã as denúncias de utilização em larga escala do 'agente laranja’ na região amazônica que será alagada pela usina de Belo Monte
O ‘agente laranja’, um dos mais violentos agentes contaminantes da natureza fabricados pela indústria química, proibido de ser utilizado no mundo há mais de 30 anos, está sendo utilizado em larga escala no desmatamento da Amazônia, inclusive em extensa área da “Terra do Meio”, no Pará, região que será alagada pela Usina de Belo Monte.
A contaminação por dioxinas deixadas na natureza pelo ‘agente laranja’ são irreversíveis. O produto foi utilizado pelos Estados Unidos no Vietnã, na década de 1960, e as dioxinas permanecem até hoje no meio ambiente, em pessoas e animais. O câncer provocado por dioxinas atinge o DNA e é transmitido geneticamente.
A denúncia da utilização do ‘agente laranja’ na Terra do Meio foi formalizada, em julho passado, em fóruns nacionais e internacionais pela Corte Internacional do Meio-Ambiente, órgão ligado à Igreja Católica de Roma, na Itália, e com assento na ONU (Organização das Nações Unidas). As provas de sua utilização na floresta foram coletadas por um delegado internacional da Fundação, o padre Angelo Pansa, de origem italiana e com mais de 30 anos de trabalho junto à população indígena e moradores das regiões ribeirinhas do Pará.
A denúncia está formalizada também no Ministério Público Federal e já é investigada pelo Ministério Público Estadual do Ceará, onde uma fábrica de agrotóxicos teria produzido ilegalmente o ‘agente laranja’ para vender a grandes proprietários de terra da Amazônia. Coletas de material feitas na floresta pelo padre estão nas mãos de pesquisadores brasileiros, entre eles residentes em Barão Geraldo, e também italianos e alemães.
Primeiros indícios – Os primeiros indícios da utilização do ‘agente laranja’ na região foram coletados pelo padre Angelo em 2007. “Antes, ouvíamos falar de alguma substância utilizada como desfolhante por grandes fazendeiros em desmatamentos, e que provocava grandes estragos onde era lançada”, contou padre Angelo para Vida Vã.
Em julho de 2007, depois de receber denúncias de moradores, padre Angelo decidiu ir a um campo de pouso localizado às margens da Transiriri, uma estrada clandestina que liga o Rio Xingu ao Rio Iriri, no município de São Felix do Xingu, no Pará. Um avião, sem prefixo, pulverizava a mata há dias com um produto que desfolhava árvores e causava devastação enorme na região. Relatos semelhantes já haviam sido encaminhados a ele, em ocasiões anteriores e diferentes locais, por integrantes da prelazia de Tucumã, onde ele atuava como padre responsável.
“Fomos expulsos a tiros do local quando chegamos. Quando as pulverizações acabaram, voltamos lá, mas não conseguimos recolher nenhum material. Tudo havia sido queimado”, relata.
Na véspera do Natal daquele mesmo ano, agricultores o procuraram para denunciar que os mesmos produtos estavam sendo utilizados em outro local, dentro da mata. “Fomos de noite. Deixamos a caminhonete escondida e caminhamos mais de três horas pela mata, para não sermos vistos. No local, havia um grande número de embalagens, que descobriríamos depois ser do agrotóxico Nufarn 2,4-D. Mas havia vários sacos plásticos, sem identificação, que continham restos de um produto amarelo. A maioria dos sacos havia sido queimada, mas conseguimos pegar alguns deles. O produto amarelo, segundo os moradores, era misturado nos grandes frascos de Nufarn 2,4-D, antes da pulverização”.
Hospitalizado – O ‘agente laranja’, com a fórmula química 2,4,5-TDD, pode ser feito a partir de uma composição entre o 2,4-D e outro produto, o 2,5-T. “A suspeita era de que o as embalagens amarelas continham o 2,5-T”, diz.
Com os produtos na mão, ele foi direto para Belém, capital do Estado, mas chegou lá gravemente enfermo. “Embora eu tivesse usado luvas, aquelas longas horas de viagem com o produto no carro me contaminaram gravemente”.
Ele ficou hospitalizado, em coma, durante dias. Quando saiu, ainda enfermo, encaminhou o material ao procurador da República no Estado do Pará, Ubiratan Cazetta. O material foi encaminhado ao Instituto Evandro Chagas, que alegou não possuir habilitação técnica para fazer a análise e o remeteu ao Laboratório Analytical Solutions, com sede no Rio de Janeiro.
“O exame pericial não esclareceu se o material continha o 2,5-T. Eram necessários outros exames mais elaborados. Mas, por causa da contaminação, fiquei muito doente e tive que voltar para a Itália para me tratar”.
Denúncias graves – No final de 2010, padre Angelo voltou ao Brasil e descobriu que o processo havia sido, desde então, engavetado. Mas novas denúncias feitas por moradores da região eram ainda mais graves. O Nufarn 2,4-D, com o tal pó amarelo, continuava sendo utilizado em larga escala e agora já sem controle nenhum.
Em diligências, ele constatou que embalagens abandonadas eram amplamente utilizadas pelas populações ribeirinhas para armazenar água. Por lei, as embalagens devem ser devolvidas ao fabricante, que tem a obrigação de fazer o descarte adequado.
O padre descobriu ainda que no ano anterior, 2009, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) havia apreendido uma carga clandestina de 2,3 milhões de litros do agrotóxico Nufarn 2,4-D adulterado por uma substância desconhecida. A operação, realizada com apoio da Polícia Federal, ocorrera na fábrica da Nufarm Indústria Química e Farmacêutica, em Maracana, no Ceará, e era destinada a fazendeiros da Amazônia. “Até hoje não se sabe qual o produto colocado nesta carga e qual a adulteração provocada nela”, conta.
Escândalo – Com o escândalo das dioxinas na Alemanha, no começo de 2011, quando a contaminação de milhões de ovos provocou grande prejuízo a agricultores, as denúncias de padre Angelo ganharam impulso adicional e foram parar nas páginas da poderosa revista alemã Der Spiegel.
Em julho passado, com base em todo o material levantado desde 2007, padre Angelo, na condição de delegado da Corte Internacional do Meio Ambiente, impetrou em várias instâncias nacionais e internacionais um pedido formal de análise de terrenos, águas, produtos vegetais e animais provindos da área contaminada e também do sangue e urina de pessoas eventualmente atingidas pelos venenos, para detectar a presença de dioxinas.
A solicitação está protocolada junto aos governos do Brasil e da Itália. “Pedimos que as amostras sejam colhidas e encaminhadas a laboratórios internacionais, como Mari Negri, na Itália, que atuou quando ocorreu o desastre das dioxinas em Seveso e Milão”.
Padre Angelo tem certeza de que as análises comprovarão as denúncias. “É fundamental que tudo isso chegue ao conhecimento público, pois os interesses envolvidos são muito grandes e temo o abafamento do caso”.
Edição 1 - Opinião
Polêmica ou ignorância?
Discussão sobre livro didático só revela ignorância da grande imprensa
Marcos Bagno
Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.
Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia página e saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos do que eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentemente convencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).
Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.
Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana.
“Classes populares”
Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito. E, é claro,com a chegada ao magistério de docentes provenientes cada vez mais dessas mesmas “classes populares”, esses mesmos profissionais entenderão que seu modo de falar, e o de seus aprendizes, não é feio, nem errado, nem tosco, é apenas uma língua diferente daquela – devidamente fossilizada e conservada em formol – que a tradição normativa tenta preservar a ferro e fogo, principalmente nos últimos tempos, com a chegada aos novos meios de comunicação de pseudoespecialistas que, amparados em tecnologias inovadoras, tentam vender um peixe gramatiqueiro para lá de podre.
Enquanto não se reconhecer a especificidade do português brasileiro dentro do conjunto de línguas derivadas do português quinhentista transplantados para as colônias, enquanto não se reconhecer que o português brasileiro é uma língua em si, com gramática própria, diferente da do português europeu, teremos de conviver com essas situações no mínimo patéticas.
A perspectiva
A principal característica dos discursos marcadamente ideologizados (sejam eles da direita ou da esquerda) é a impossibilidade de ver as coisas em perspectiva contínua, em redes complexas de elementos que se cruzam e entrecruzam, em ciclos constantes. Nesses discursos só existe o preto e o branco, o masculino e o feminino, o mocinho e o bandido, o certo e o errado e por aí vai.
Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum. Mas essa visão mais sofisticada não interessava ao fundamentalismo religioso que precisava de um lema distorcido como “o homem vem do macaco” para empreender sua campanha obscurantista, que permanece em voga até hoje (inclusive no discurso da candidata azul disfarçada de verde à presidência da República no ano passado).
Ninguém falou
Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua.
O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento.
Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas.
O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles – se julgarem pertinente, adequado e necessário – possam vir a usá-la também.
Purismo
O problema da ideologia purista é esse também. Seus defensores não conseguem admitir que tanto faz dizer assisti o filme quanto assiti ao filme, que a palavra óculos pode ser usada tanto no singular (o óculos, como dizem 101% dos brasileiros) quanto no plural (os óculos, como dizem dois ou três gatos pingados).
O mais divertido (para mim, pelo menos, talvez por um pouco de masoquismo) é ver os mesmos defensores da suposta “língua certa”, no exato momento em que a defendem, empregar regras linguísticas que a tradição normativa que eles acham que defendem rejeitaria imediatamente. Pois ontem, vendo o Jornal das Dez, da GloboNews, ouvi da boca do sr. Carlos Monforte essa deliciosa pergunta: “Como é que fica então as concordâncias?”. Ora, sr. Monforte, eu lhe devolvo a pergunta: “E as concordâncias, como é que ficam então?
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Marcos Bagno é linguista, tradutor, professor Universidade de Brasília
(http://marcosbagno.com.br)
Edição 1 - Buscador
E assim falava Baranasukas
Organização Mundial da Saúde alerta, pela primeira vez, sobre os graves riscos para a saúde que podem ser causados pelo uso do telefone celular
O professor Victor Baranauskas, da Faculdade de Engenharia Elétrica, Computação, Semicondutores e Fotônica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) garante: as grandes empresas de telefonia já desenvolveram tecnologias para reduzir o impacto das ondas emitidas pelos celulares no cérebro humano, mas só vão colocá-las em prática se forem pressionadas pelos consumidores.
Por isso, ele defende uma forte mobilização dos órgãos públicos de saúde e, principalmente, dos consumidores, para exigir que estas tecnologias sejam disponibilizadas nos telefones celulares.
“Como não há pressão ou demanda por esta tecnologia, porque os consumidores desconhecem os riscos, as empresas não investem nisso. Com certeza, os consumidores seriam mais exigentes com os fabricantes se tivessem consciência da gravidade do uso do aparelho”, sentencia.
Neste sentido, o professor chama à responsabilidade não só os órgãos de saúde, mas autoridades e veículos de comunicação, por nunca terem aprofundado e questionado o alcance dos riscos dos celulares para a saúde humana.
Durante décadas, praticamente desde o início da expansão da telefonia celular no Brasil, nos anos 80, o professor Baranauskas moveu uma verdadeira cruzada para alertar a população sobre este perigo, inclusive com a publicação, em 2001, do livro ‘O Celular e seus Riscos’. Na maior parte das vezes, ele clamou no deserto.
O alerta da OMS - Agora, com o recente alerta da OMS (Organização Mundial da Saúde), o professor acredita que é hora de voltar à carga. Para ele, os órgãos de saúde pública, no Brasil e no mundo, não podem mais se abster diante da colossal expansão da telefonia móvel. Em maio deste ano, a OMS, pela primeira vez – depois de ter recebido durante anos pressões de pesquisadores do mundo inteiro – colocou os telefones celulares como “possivelmente cancerígenos”, na mesma categoria do chumbo, escapamento de motor de carro e clorofórmio.
Em comunicados anteriores, a própria OMS havia afirmado que a radiação de celulares “não poderia ser relacionada a nenhum efeito nocivo à saúde”. O novo informe foi publicado com base em uma ampla revisão, feita por 31 cientistas de 14 países, dos estudos realizados no mundo sobre a segurança de telefones celulares.
A equipe diz ter encontrado provas suficientes para classificar a exposição pessoal à radiação de celulares como “possivelmente cancerígena” para os seres humanos.
Como acontece – Para Baranauskas, nada disso é novidade. Desde o início, quando era óbvia a falta de dados estatísticos, ele partiu de outras evidências científicas para alertar sobre o risco da radiação dos celulares.
“O corpo humano é um mecanismo biológico extremamente complexo e, do ponto de vista elétrico, apresenta estruturas de alta condutividade como as redes de neurônios, os fluidos sanguíneos e o líquor cerebral. Por andarmos na posição vertical, funcionamos também como ótimas antenas receptoras para absorção da radiação eletromagnética”, diz ele. “A telefonia celular emite radiação com comprimentos de onda entre 33,7 cm e 36,3 cm. Estes valores coincidem com a ressonância, isto é, a maior absorção de radiação na caixa craniana de pessoas adultas, ou na radiação de corpo inteiro em bebês”.
Por isso, é no cérebro dos adultos e em todo o corpo das crianças que os efeitos dos celulares são mais devastadores.
As microondas emitidas pelo celular, ao serem absorvidas pelo organismo humano, geram aquecimento. “Muitas vezes, um indivíduo exposto à radiação poderá sofrer até queimaduras internas, sem que nenhuma transformação visível possa ser vista na pele”, diz. É como o frango cozido no forno de microondas. Ele fica completamente cozido por dentro, enquanto sua pele continua crua. Isso acontece porque a pele tem pouca água e, portanto, uma capacidade menor de absorção da energia. O mesmo acontece no corpo humano.
Esta capacidade de absorção e dispersão da energia também pode mudar de indivíduo para indivíduo, dependendo das dimensões do crânio e das condições fisiológicas de cada um. “Microscopicamente, sabe-se lá quais e quantas estruturas biológicas são danificadas ou não durante este processo”, adverte.
Risco de câncer – O professor lembra que a medicina já tem claro que os fatores principais que podem desencadear o câncer são as alterações do DNA e a deficiência do sistema imunológico. “E, infelizmente, tanto um quanto o outro podem ser alterados pela radiação eletromagnética”, diz.
O uso de uma antena de um telefone celular próximo à cabeça, certamente trará maiores consequências da radiação sobre as regiões do cérebro e aos nervos da mão que segura o aparelho. “Por este motivo, o risco de câncer cerebral deve ser maior em usuários de telefone celular. A dificuldade de comprovação direta entre a radiação de microondas do celular e o câncer cerebral é a óbvia impossibilidade ética de se utilizar cobaias humanas. Mas, na prática, os usuários atuais infelizmente têm sido cobaias desta tecnologia”, denuncia.
No cérebro humano estão localizadas ainda as glândulas hipófise e a pineal, responsáveis pela secreção de dezenas de hormônios. Estes hormônios influenciam diretamente as funções celulares, assim como diversas funções fisiológicas e até psicológicas do ser humano.
“Portanto, através da disfunção dos mecanismos hormonais, a incidência de radiação no cérebro pode levar a diferentes mecanismos de ativação celular que podem originar células ‘diferentes’ (cancerígenas) em outras partes do corpo, além do próprio cérebro”.
Antenas – O efeito da radiação emitida pelas torres de microondas já estão largamente comprovados, afirma o professor.
Estudos mostram que as crianças que moram próximas de antenas com a radiação de frequência de 900MHz, têm prejudicadas as fases do sono responsáveis pela memória e aprendizado.
Ele diz que existem diversos estudos que comprovam o aumento de casos de leucemia em famílias que vivem em residências próximas às antenas.
“Finalmente, estudos epidemiológicos feitos em grupos de pessoas que são expostas à radiações eletromagnéticas devido a seu trabalho profissional, como operadores de radar de rádio, entre outros, demonstraram que há evidência epidemiológica de alteração das células brancas e vermelhas do sangue, incremento da leucemia, aumento das malignidades no sistema linfático, aumento da neoplasia do trato alimentar e aumento da incidência de câncer cerebral”.
Comportamento – De acordo com relatos científicos, fartamente catalogados por Baranauskas, os efeitos térmicos provocados pela radiação também contribuem para a alteração psicológica do indivíduo e provocam mudanças de comportamento e fadiga.
“Não há nenhuma dúvida na literatura científica de que a hipertemia provocada pelas radiações eletromagnéticas é potencialmente prejudicial à saúde humana. Quando encostamos em um objeto quente nossa ação espontânea é nos afastarmos. Infelizmente não temos nenhum receptor no organismo para detectar a radiação eletromagnética”.
Para Baranauskas, além das doenças já conhecidas provocadas pela hipertemia, a radiação eletromagnética também provoca outras patologias. Um dos casos, já bastante estudado, é o da aceleração da catarata. “No caso da córnea e do cristalino, existem dois fatores que potencializam os danos da radiação: a necessidade de hidratação e a baixa irrigação sanguínea, além da extrema dificuldade de regeneração destes tecidos quando desidratados”, diz.
Com a eliminação da água, as fibras de colágeno que reveste os olhos enrolam-se entre si e passam ficam opacas, dando origem à catarata. A transparência delas é irrecuperável e elas precisam ser removidas por cirurgia. “A catarata pode ocorrer também devido a problemas vasculares, deficiência imunológica e envelhecimento. Pessoas que já tenham estas deficiências vão ter também os efeitos da radiação de microondas ampliados”, alerta.
Por isso, assim como ele já falava há muitos anos, Baranauskas diz que há motivos de sobra para que a saúde pública passe a colocar a telefonia celular como uma de suas prioridades.
(Colaborou Joice Costa)
Advertência vã
A expectativa de que o alerta lançado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em maio, se transformaria em um divisor de águas para as normas de segurança dos celulares não se confirmou. Pelo menos até agora.
Em nenhum nível consultado por Vida Vã há indícios de que a decisão tenha provocado qualquer efeito prático. Nem Ministério ou secretarias Estadual e municipais de saúde têm qualquer projeto de chamada às falas dos fabricantes e distribuidores de celulares.
Revendedores sequer são aconselhados a orientarem os consumidores sobre riscos e maneiras de o evitarem – ou minimizarem. E poucos consumidores, na ponta final, foram informados sobre os riscos.
Nas ruas, as pessoas demonstram não ter quase informação nenhuma sobre o assunto. Para o inspetor de qualidade Ivan do Santos, sua única preocupação é a tecnologia do aparelho. “Eu não penso na radiação”, diz. Santos usa aparelho móvel há 7 anos.
A empresária Adriana Marquissolo diz que também prefere aparelho de boa tecnologia. “Eu não me preocupo com problemas de saúde quando vou escolher um telefone”. Ela faz uso da telefonia móvel também há 7 anos.
A estudante Laís Helena Pires Costa fala que usa celular há quase 4 anos e só pensa no que o aparelho pode oferecer de melhor. “Eu nem sabia de riscos a saúde”.
Precauções – “Esse tipo de informação deveria constar no manual do telefone, assim como fazem hoje com os maços de cigarros”, diz Baranauskas. Para ele, há precauções que podem ser tomadas por qualquer consumidor. “O ideal é evitar o contato físico com o aparelho. Recomendo que seja mais utilizado o viva voz e o fone de ouvido”, diz.
Em hipótese nenhuma os celulares devem ser utilizados por crianças, de preferência nem para jogar. Celular sob o travesseiro, então, nem pensar.
Outra dica de Baranauskas é regular o volume de forma que se possa usar o aparelho longe da cabeça. Espere a ligação ser completada para colocar o celular na orelha - o celular aumenta em até cinco vezes sua potência para localizar a antena mais próxima - e evite usar o celular em lugares fechados, como elevadores e carros.
Estudo realizado na Suécia mostrou que ratos expostos à radiação celular (em níveis considerados baixos pelas indústrias), diariamente por duas horas, durante 50 dias, apresentaram pontos escuros no cérebro, microhemorragias e perda de massa encefálica. O cérebro ficou poroso.
Organização Mundial da Saúde alerta, pela primeira vez, sobre os graves riscos para a saúde que podem ser causados pelo uso do telefone celular
Paulo San Martin
O professor Victor Baranauskas, da Faculdade de Engenharia Elétrica, Computação, Semicondutores e Fotônica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) garante: as grandes empresas de telefonia já desenvolveram tecnologias para reduzir o impacto das ondas emitidas pelos celulares no cérebro humano, mas só vão colocá-las em prática se forem pressionadas pelos consumidores.
Por isso, ele defende uma forte mobilização dos órgãos públicos de saúde e, principalmente, dos consumidores, para exigir que estas tecnologias sejam disponibilizadas nos telefones celulares.
“Como não há pressão ou demanda por esta tecnologia, porque os consumidores desconhecem os riscos, as empresas não investem nisso. Com certeza, os consumidores seriam mais exigentes com os fabricantes se tivessem consciência da gravidade do uso do aparelho”, sentencia.
Neste sentido, o professor chama à responsabilidade não só os órgãos de saúde, mas autoridades e veículos de comunicação, por nunca terem aprofundado e questionado o alcance dos riscos dos celulares para a saúde humana.
Durante décadas, praticamente desde o início da expansão da telefonia celular no Brasil, nos anos 80, o professor Baranauskas moveu uma verdadeira cruzada para alertar a população sobre este perigo, inclusive com a publicação, em 2001, do livro ‘O Celular e seus Riscos’. Na maior parte das vezes, ele clamou no deserto.
O alerta da OMS - Agora, com o recente alerta da OMS (Organização Mundial da Saúde), o professor acredita que é hora de voltar à carga. Para ele, os órgãos de saúde pública, no Brasil e no mundo, não podem mais se abster diante da colossal expansão da telefonia móvel. Em maio deste ano, a OMS, pela primeira vez – depois de ter recebido durante anos pressões de pesquisadores do mundo inteiro – colocou os telefones celulares como “possivelmente cancerígenos”, na mesma categoria do chumbo, escapamento de motor de carro e clorofórmio.
Em comunicados anteriores, a própria OMS havia afirmado que a radiação de celulares “não poderia ser relacionada a nenhum efeito nocivo à saúde”. O novo informe foi publicado com base em uma ampla revisão, feita por 31 cientistas de 14 países, dos estudos realizados no mundo sobre a segurança de telefones celulares.
A equipe diz ter encontrado provas suficientes para classificar a exposição pessoal à radiação de celulares como “possivelmente cancerígena” para os seres humanos.
Como acontece – Para Baranauskas, nada disso é novidade. Desde o início, quando era óbvia a falta de dados estatísticos, ele partiu de outras evidências científicas para alertar sobre o risco da radiação dos celulares.
“O corpo humano é um mecanismo biológico extremamente complexo e, do ponto de vista elétrico, apresenta estruturas de alta condutividade como as redes de neurônios, os fluidos sanguíneos e o líquor cerebral. Por andarmos na posição vertical, funcionamos também como ótimas antenas receptoras para absorção da radiação eletromagnética”, diz ele. “A telefonia celular emite radiação com comprimentos de onda entre 33,7 cm e 36,3 cm. Estes valores coincidem com a ressonância, isto é, a maior absorção de radiação na caixa craniana de pessoas adultas, ou na radiação de corpo inteiro em bebês”.
Por isso, é no cérebro dos adultos e em todo o corpo das crianças que os efeitos dos celulares são mais devastadores.
As microondas emitidas pelo celular, ao serem absorvidas pelo organismo humano, geram aquecimento. “Muitas vezes, um indivíduo exposto à radiação poderá sofrer até queimaduras internas, sem que nenhuma transformação visível possa ser vista na pele”, diz. É como o frango cozido no forno de microondas. Ele fica completamente cozido por dentro, enquanto sua pele continua crua. Isso acontece porque a pele tem pouca água e, portanto, uma capacidade menor de absorção da energia. O mesmo acontece no corpo humano.
Esta capacidade de absorção e dispersão da energia também pode mudar de indivíduo para indivíduo, dependendo das dimensões do crânio e das condições fisiológicas de cada um. “Microscopicamente, sabe-se lá quais e quantas estruturas biológicas são danificadas ou não durante este processo”, adverte.
Risco de câncer – O professor lembra que a medicina já tem claro que os fatores principais que podem desencadear o câncer são as alterações do DNA e a deficiência do sistema imunológico. “E, infelizmente, tanto um quanto o outro podem ser alterados pela radiação eletromagnética”, diz.
O uso de uma antena de um telefone celular próximo à cabeça, certamente trará maiores consequências da radiação sobre as regiões do cérebro e aos nervos da mão que segura o aparelho. “Por este motivo, o risco de câncer cerebral deve ser maior em usuários de telefone celular. A dificuldade de comprovação direta entre a radiação de microondas do celular e o câncer cerebral é a óbvia impossibilidade ética de se utilizar cobaias humanas. Mas, na prática, os usuários atuais infelizmente têm sido cobaias desta tecnologia”, denuncia.
No cérebro humano estão localizadas ainda as glândulas hipófise e a pineal, responsáveis pela secreção de dezenas de hormônios. Estes hormônios influenciam diretamente as funções celulares, assim como diversas funções fisiológicas e até psicológicas do ser humano.
“Portanto, através da disfunção dos mecanismos hormonais, a incidência de radiação no cérebro pode levar a diferentes mecanismos de ativação celular que podem originar células ‘diferentes’ (cancerígenas) em outras partes do corpo, além do próprio cérebro”.
Antenas – O efeito da radiação emitida pelas torres de microondas já estão largamente comprovados, afirma o professor.
Estudos mostram que as crianças que moram próximas de antenas com a radiação de frequência de 900MHz, têm prejudicadas as fases do sono responsáveis pela memória e aprendizado.
Ele diz que existem diversos estudos que comprovam o aumento de casos de leucemia em famílias que vivem em residências próximas às antenas.
“Finalmente, estudos epidemiológicos feitos em grupos de pessoas que são expostas à radiações eletromagnéticas devido a seu trabalho profissional, como operadores de radar de rádio, entre outros, demonstraram que há evidência epidemiológica de alteração das células brancas e vermelhas do sangue, incremento da leucemia, aumento das malignidades no sistema linfático, aumento da neoplasia do trato alimentar e aumento da incidência de câncer cerebral”.
Comportamento – De acordo com relatos científicos, fartamente catalogados por Baranauskas, os efeitos térmicos provocados pela radiação também contribuem para a alteração psicológica do indivíduo e provocam mudanças de comportamento e fadiga.
“Não há nenhuma dúvida na literatura científica de que a hipertemia provocada pelas radiações eletromagnéticas é potencialmente prejudicial à saúde humana. Quando encostamos em um objeto quente nossa ação espontânea é nos afastarmos. Infelizmente não temos nenhum receptor no organismo para detectar a radiação eletromagnética”.
Para Baranauskas, além das doenças já conhecidas provocadas pela hipertemia, a radiação eletromagnética também provoca outras patologias. Um dos casos, já bastante estudado, é o da aceleração da catarata. “No caso da córnea e do cristalino, existem dois fatores que potencializam os danos da radiação: a necessidade de hidratação e a baixa irrigação sanguínea, além da extrema dificuldade de regeneração destes tecidos quando desidratados”, diz.
Com a eliminação da água, as fibras de colágeno que reveste os olhos enrolam-se entre si e passam ficam opacas, dando origem à catarata. A transparência delas é irrecuperável e elas precisam ser removidas por cirurgia. “A catarata pode ocorrer também devido a problemas vasculares, deficiência imunológica e envelhecimento. Pessoas que já tenham estas deficiências vão ter também os efeitos da radiação de microondas ampliados”, alerta.
Por isso, assim como ele já falava há muitos anos, Baranauskas diz que há motivos de sobra para que a saúde pública passe a colocar a telefonia celular como uma de suas prioridades.
(Colaborou Joice Costa)
Advertência vã
A expectativa de que o alerta lançado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em maio, se transformaria em um divisor de águas para as normas de segurança dos celulares não se confirmou. Pelo menos até agora.
Em nenhum nível consultado por Vida Vã há indícios de que a decisão tenha provocado qualquer efeito prático. Nem Ministério ou secretarias Estadual e municipais de saúde têm qualquer projeto de chamada às falas dos fabricantes e distribuidores de celulares.
Revendedores sequer são aconselhados a orientarem os consumidores sobre riscos e maneiras de o evitarem – ou minimizarem. E poucos consumidores, na ponta final, foram informados sobre os riscos.
Nas ruas, as pessoas demonstram não ter quase informação nenhuma sobre o assunto. Para o inspetor de qualidade Ivan do Santos, sua única preocupação é a tecnologia do aparelho. “Eu não penso na radiação”, diz. Santos usa aparelho móvel há 7 anos.
A empresária Adriana Marquissolo diz que também prefere aparelho de boa tecnologia. “Eu não me preocupo com problemas de saúde quando vou escolher um telefone”. Ela faz uso da telefonia móvel também há 7 anos.
A estudante Laís Helena Pires Costa fala que usa celular há quase 4 anos e só pensa no que o aparelho pode oferecer de melhor. “Eu nem sabia de riscos a saúde”.
Precauções – “Esse tipo de informação deveria constar no manual do telefone, assim como fazem hoje com os maços de cigarros”, diz Baranauskas. Para ele, há precauções que podem ser tomadas por qualquer consumidor. “O ideal é evitar o contato físico com o aparelho. Recomendo que seja mais utilizado o viva voz e o fone de ouvido”, diz.
Em hipótese nenhuma os celulares devem ser utilizados por crianças, de preferência nem para jogar. Celular sob o travesseiro, então, nem pensar.
Outra dica de Baranauskas é regular o volume de forma que se possa usar o aparelho longe da cabeça. Espere a ligação ser completada para colocar o celular na orelha - o celular aumenta em até cinco vezes sua potência para localizar a antena mais próxima - e evite usar o celular em lugares fechados, como elevadores e carros.
Estudo realizado na Suécia mostrou que ratos expostos à radiação celular (em níveis considerados baixos pelas indústrias), diariamente por duas horas, durante 50 dias, apresentaram pontos escuros no cérebro, microhemorragias e perda de massa encefálica. O cérebro ficou poroso.
Edição 1 - Dança
"Os Meninos do Barão" apresenta O Navio Negreiro
Espetáculo encenado só por meninos dançarinos será apresentado no SESC Campinas e no Centro de Convivência
O poema de Castro Alves, cantado na travessia de mar entre o continente africano e a colônia portuguesa nas Américas, foi transformado em espetáculo de dança e a montagem tem apresentações agendadas em Campinas a partir de setembro. Foram dois anos de intenso trabalho para a montagem de O Navio Negreiro, que começou com a leitura e estudo do poema e dessa tragédia que foi a escravidão, envolvendo, inclusive, sessões de filmes que tratam do tema. A preparação também exigiu uma imersão na cultura africana, com workshops de capoeira, de cantos e de danças e o resultado pode ser conferido no SESC Campinas, de 8 a 11 de setembro, e no Centro de Convivência Cultural de Campinas, de 1 a 3 de novembro.
Com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC), o projeto resulta em um espetáculo de dança contemporânea especialmente idealizado para o grupo ‘Os Meninos do Barão’, formado por jovens bailarinos em formação, atendidos pela Associação dos Benfeitores e Amigos de Meninos Bailarinos Atores (Abamba).
Composto apenas por meninos, o grupo fez o primeiro ensaio aberto de O Navio Negreiro em julho do ano passado e desde então algumas apresentações foram realizadas, entre elas em Ilhabela e Barão Geraldo (no Casarão), no ano passado, e em Rio Claro e Serra Negra neste ano. “Finalmente faremos a estreia do espetáculo em Campinas”, comemora o diretor da Abamba e do espetáculo, Beto Regina, lembrando que se trata da sétima produção da montagem.
A abamba – A Associação, que completou 14 anos neste mês de agosto, se dedica a formação profissionalizante de dança, atendendo a meninos com idades a partir de 12 anos, oriundos de famílias de baixa renda.
O curso tem duração de seis anos, com aulas diárias, abrangendo dança, teatro, música, artes visuais e circenses. Conforme explica o diretor, a proposta vai além da formação profissional, já que os meninos que participam da Abamba recebem reforço escolar e acompanhamento psicológico, além de apoio com cesta básica, refeições no local e vale transporte.
“Temos a preocupação em oferecer aos meninos a formação da cidadania. Queremos ensiná-los a protagonizar a própria vida”, afirma Beto Regina, ressaltando que os futuros bailarinos também recebem noções de cuidados pessoais e dos afazeres domésticos, da responsabilidade de pagar contas e de planejar a própria carreira.
Seleção – No entanto, para fazer parte do grupo é necessário, além da vontade de seguir a carreira de bailarino, passar por um processo de seleção que começa com audição e depois três meses de experiência.
Conforme Beto Regina, costumam ser feitas audições duas vezes por ano e as inscrições chegam de várias partes de Campinas e de cidades da região.
Os interessados devem entrar em contato pelo telefone 3289-0651. Passada a fase da experiência, os garotos começam a fazer parte do projeto de formação e participam de todas as atividades. No término do curso, os meninos formados são encaminhados para o processo de obtenção do registro profissional.
“Mandamos os meninos para São Paulo, pagamos a inscrição e montamos a coreografia”, detalha o diretor. “Depois encaminhamos para audições em companhias profissionais”, acrescenta. Ele conta que há bailarinos, formados pelo projeto, integrando algumas companhias do país, como em Manaus, Taubaté e Campinas.
A Formação do Bailarino
A formação do bailarino, conforme explica Beto Regina, é totalmente diferente da formação da bailarina, pois os movimentos são muito distintos. “A mulher é graciosa. O homem salta mais, é viril e carrega a mulher”, exemplifica. O diretor afirma que a profissão de bailarino é bastante promissora, uma vez que há escassez de bailarinos. “As companhias pagam muito bem”.
O Navio Negreiro
De 8 a 11 de setembro, no SESC Campinas
De 1 a 3 de novembro, no Centro de Convivência Cultural de Campinas
Concepção / direção / coreografia - Beto Regina
Trilha sonora - Eduardo Agni
Cenografia - Zay Pereira
Iluminação - Felipe Chepkassoff
Adereços (bonecos) - Jésus Seda
Coreógrafos convidados - Felipe Chepkassoff; Leonardo Steinberg; Paula Salles; Elizandro
Carneiro; Wolnei Macena
Elenco - Beto Regina (como Castro Alves); Gabriel Donizete; Renan Vilela; Luiz Claudio Ribeiro; Marcelo Leite; Cristiano Lira; João Vitor; Luiz Ricardo; Maycon Cruz e Wesley Gonçalves.
Trabalho voluntário
Abamba é uma ONG, os professores são voluntários e a manutenção das atividades se dá por meio de doações, feitas por sócios ou de forma avulsa, havendo a possibilidade, também, de destinação de parte do Imposto de Renda.
As doações avulsas podem ser materiais, como itens de higiene pessoal e da cesta básica. “Precisamos de tudo por aqui. Meias são muito úteis para nós”, exemplifica Beto Regina, já que são bastante utilizadas nos ensaios.
A sede da associação está localizada na rua Rodrigo Ribeiro de Melo, 80, no bairro Real Parque.
Espetáculo encenado só por meninos dançarinos será apresentado no SESC Campinas e no Centro de Convivência
Véronique Hourcade
O poema de Castro Alves, cantado na travessia de mar entre o continente africano e a colônia portuguesa nas Américas, foi transformado em espetáculo de dança e a montagem tem apresentações agendadas em Campinas a partir de setembro. Foram dois anos de intenso trabalho para a montagem de O Navio Negreiro, que começou com a leitura e estudo do poema e dessa tragédia que foi a escravidão, envolvendo, inclusive, sessões de filmes que tratam do tema. A preparação também exigiu uma imersão na cultura africana, com workshops de capoeira, de cantos e de danças e o resultado pode ser conferido no SESC Campinas, de 8 a 11 de setembro, e no Centro de Convivência Cultural de Campinas, de 1 a 3 de novembro.
Com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC), o projeto resulta em um espetáculo de dança contemporânea especialmente idealizado para o grupo ‘Os Meninos do Barão’, formado por jovens bailarinos em formação, atendidos pela Associação dos Benfeitores e Amigos de Meninos Bailarinos Atores (Abamba).
Composto apenas por meninos, o grupo fez o primeiro ensaio aberto de O Navio Negreiro em julho do ano passado e desde então algumas apresentações foram realizadas, entre elas em Ilhabela e Barão Geraldo (no Casarão), no ano passado, e em Rio Claro e Serra Negra neste ano. “Finalmente faremos a estreia do espetáculo em Campinas”, comemora o diretor da Abamba e do espetáculo, Beto Regina, lembrando que se trata da sétima produção da montagem.
A abamba – A Associação, que completou 14 anos neste mês de agosto, se dedica a formação profissionalizante de dança, atendendo a meninos com idades a partir de 12 anos, oriundos de famílias de baixa renda.
O curso tem duração de seis anos, com aulas diárias, abrangendo dança, teatro, música, artes visuais e circenses. Conforme explica o diretor, a proposta vai além da formação profissional, já que os meninos que participam da Abamba recebem reforço escolar e acompanhamento psicológico, além de apoio com cesta básica, refeições no local e vale transporte.
“Temos a preocupação em oferecer aos meninos a formação da cidadania. Queremos ensiná-los a protagonizar a própria vida”, afirma Beto Regina, ressaltando que os futuros bailarinos também recebem noções de cuidados pessoais e dos afazeres domésticos, da responsabilidade de pagar contas e de planejar a própria carreira.
Seleção – No entanto, para fazer parte do grupo é necessário, além da vontade de seguir a carreira de bailarino, passar por um processo de seleção que começa com audição e depois três meses de experiência.
Conforme Beto Regina, costumam ser feitas audições duas vezes por ano e as inscrições chegam de várias partes de Campinas e de cidades da região.
Os interessados devem entrar em contato pelo telefone 3289-0651. Passada a fase da experiência, os garotos começam a fazer parte do projeto de formação e participam de todas as atividades. No término do curso, os meninos formados são encaminhados para o processo de obtenção do registro profissional.
“Mandamos os meninos para São Paulo, pagamos a inscrição e montamos a coreografia”, detalha o diretor. “Depois encaminhamos para audições em companhias profissionais”, acrescenta. Ele conta que há bailarinos, formados pelo projeto, integrando algumas companhias do país, como em Manaus, Taubaté e Campinas.
A Formação do Bailarino
A formação do bailarino, conforme explica Beto Regina, é totalmente diferente da formação da bailarina, pois os movimentos são muito distintos. “A mulher é graciosa. O homem salta mais, é viril e carrega a mulher”, exemplifica. O diretor afirma que a profissão de bailarino é bastante promissora, uma vez que há escassez de bailarinos. “As companhias pagam muito bem”.
O Navio Negreiro
De 8 a 11 de setembro, no SESC Campinas
De 1 a 3 de novembro, no Centro de Convivência Cultural de Campinas
Concepção / direção / coreografia - Beto Regina
Trilha sonora - Eduardo Agni
Cenografia - Zay Pereira
Iluminação - Felipe Chepkassoff
Adereços (bonecos) - Jésus Seda
Coreógrafos convidados - Felipe Chepkassoff; Leonardo Steinberg; Paula Salles; Elizandro
Carneiro; Wolnei Macena
Elenco - Beto Regina (como Castro Alves); Gabriel Donizete; Renan Vilela; Luiz Claudio Ribeiro; Marcelo Leite; Cristiano Lira; João Vitor; Luiz Ricardo; Maycon Cruz e Wesley Gonçalves.
Trabalho voluntário
Abamba é uma ONG, os professores são voluntários e a manutenção das atividades se dá por meio de doações, feitas por sócios ou de forma avulsa, havendo a possibilidade, também, de destinação de parte do Imposto de Renda.
As doações avulsas podem ser materiais, como itens de higiene pessoal e da cesta básica. “Precisamos de tudo por aqui. Meias são muito úteis para nós”, exemplifica Beto Regina, já que são bastante utilizadas nos ensaios.
A sede da associação está localizada na rua Rodrigo Ribeiro de Melo, 80, no bairro Real Parque.
Edição 1 - Roteiro
Casarão do Barão
Oficinas
Dança – Técnica Klaus Vianna – quintas-feiras, às 19 horas
Artesanato – Encontros entre fios e memórias, cores, panos – quartas – feiras, às 10 horas
Expressão corporal e Dança – 24 de setembro, das 15 às 18 horas
Aulas
Capoeira – Grupo Semente do Jogo de Angola – 2ª e 4ª feiras, 19 horas
Yoga – alongamento e respiração – terças-feiras, às 8h30
Cine Clube Casarão
E Aí? Qual É a sua Corrupção – curta metragem (10 minutos)
Produzido por adolescentes de Barão Geraldo. Direção Denise Tavares
O Cavalinho Azul – longa metragem (94 minutos)
Direção Eduardo Escorel
Quartas-feiras, às 10 e às 15 horas / Sábados – às 10 horas
Literatura
Sala de Leitura – empréstimo e leitura no local – de segunda a sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 14 às 16 horas; aos sábados, das 9 às 12 horas.
Encontro Anual de Capoeira Sementes do Jogo de Angola
Datas: 12, 14 e 16 de setembro
Horários: das 18 às 22 horas
Apresentação de Circo – Família Burg
Datas: 19 de setembro / 20 e 21 de setembro
Horários: 14 horas / 10 horas
Manifesta Maranhense – ensaio aberto das manifestações culturais do Maranhão
Data: 24 de setembro
Horário: das 18 às 22 horas
O Centro Cultural Casarão do Barão fica na rua Maria Ribeiro Sampainho Reginato, s/n, Terras do Barão – (19) 3287 6800
CPFL Cultura
Yo Si Tu No, um elogio a bobagem – Teatro Infantil
Data: 4 de setembro
Horários: 10 horas e 11h30
Os palhaços Chaveco e Azevedo conquistam os mais diversos lugares e pessoas com seu espetacular número de fogo! Dois parceiros de trabalho que, juntamente com o espectador, evidenciam que é impossível ser feliz sozinho!
Faça a Coisa Certa – Filme
Diretor: Spike Lee
Datas: 8 de setembro / 11 de setembro
Horários: 17h30 e 20 horas / 19 horas
As Sombras do Humano – Palestra
Data: 9 de setembro
Horário: 19 horas
Palestra da série “As razões do ódio”, de Luiz Felipe Pondé.
O Pássaro de Fogo – Música
Data: 10 de setembro
Horário: 20 horas
Evento da série “Stravinsky e o violento parto da modernidade”. Com Orquestra Sinfônica de Chicago, regida por Pierre Boulez. Projeções de concertos em DVD, com comentários sobre a obra, o compositor e os intérpretes, por João Marcos Coelho.
Academia de Palhaços se Apresenta – Teatro Infantil
Data: 11 de setembro
Horários: 10 horas e 11h30
Academia de Palhaços se Apresenta’ é um espetáculo que transporta o espectador diretamente das poltronas do teatro para a arquibancada do picadeiro.
Gangues de Nova York – Filme
Diretor: Martin Scorsese
Datas: 15 de setembro / 18 de setembro
Horários: 17h30 e 20 horas / 19 horas
O Fundamentalismo Islâmico –
Palestra
Data: 16 de setembro
Horário: 19 horas
Palestra da série “As Razões do Ódio”, de Luiz Felipe Ponde, com Igor Gielow. A partir de uma experiência de vida cotidiana entre grupos como os Talebans no Afeganistão e Paquistão, Gielow apresenta a geografia do ódio fundamentalista islâmico naqueles países.
A Sagração da Primavera – Música
Data: 17 de setembro
Horário: 20 horas
Evento da série “Stravinsky e o violento parto da modernidade”. Em duas versões: 1) com um bailarino-solo acompanhado pela versão para dois pianos; e 2) com o Balé de Leipzig, na versão original para orquestra. Projeções de concertos em DVD, com comentários sobre a obra, o compositor e os intérpretes, por João Marcos Coelho.
Dr. Plástico – Teatro Infantil
Data: 18 de setembro
Horários: 10 horas e 11h30
De forma lúdica e musical o espetáculo “Dr. Plástico” diverte, ensina, informa e emociona sobre o material mais usado nos dois últimos séculos de nossa história: o Polímero, popularmente conhecido como plástico.
Mississipi em Chamas – Filme
Diretor: Alan Parker
Datas: 22 de setembro / 25 de setembro
Horários: 17h30 e 20 horas / 19 horas
O Ódio no Brasil – Palestra
Data: 23 de setembro
Horário: 19 horas
Palestra da série “As Razões do Ódio”, de Luiz Felipe Ponde, com Leandro Karnal. O que na história e no cotidiano do Brasil nos leva ao ódio e à violência?
Sinfonia em 3 Movimentos – Música
Data: 24 de setembro
Horário: 20 horas
Evento da série “Stravinsky e o violento parto da modernidade”. Com Simon Rattle regendo a Filarmônica de Berlim. Projeções de concertos em DVD, com comentários sobre a obra, o compositor e os intérpretes, por João Marcos Coelho.
Butão – a menina e a joaninha –
Teatro Infantil
Data: 25 de setembro
Horários: 10 horas e 11h30
Criação inspirada pelo conto “A Menina e a Joaninha”.
Munique – Filme
Diretor: Steven Spielberg
Data: 29 de setembro
Horários: 17h30 e 20 horas
A Europa e o ódio ao “outro” –
Palestra
Data: 30 de setembro
Horário: 19 horas
Palestra da série “As Razões do Ódio”, de Luiz Felipe Ponde, com Dante Claramonte Gallian. Apesar do discurso constante contra a xenofobia, mantém-se entre grande parte dos europeus o sentimento de que os imigrantes são de alguma forma uma causa da deterioração de seu cotidiano.
A CPFL Cultura em Campinas fica na rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 – Chácara Primavera - (19) 3756-8000. Programação gratuita. Distribuição de ingressos tem início uma hora antes do início da sessão. Transmissões ao vivo pelo site www.cpflcultura.com.br/aovivo
Casa do Lago
Projeto Domingo no Lago
Data: 4 de setembro
Horário: 10h30
Apresentação de duas peças pelo grupo Troupe Per Tutti (“O Grande Mago D. Arkak” e “Ossos do Ofício, a comédia do trabalho”) e o Coral da Unicamp Zíper na Boca apresenta o concerto cênico “QUEEN Rhapsody”.
Primavera – Exposição
Data: de 19 a 30 de setembro
Horário: das 8h30 às 22 horas
A exposição de pinturas à óleo que a comunidade (funcionários, alunos e docentes) do Instituto de Química e outras unidades executam no horário do almoço, nas dependências do IQ.
Quintas com Cravo - Música
Data: 29 de setembro
Horário: 12h30
Orquestra Sinfônica da Unicamp – Música
Data: 29 de setembro
Horário: 18 horas
Espaço Cultural Casa do Lago fica na rua Érico Veríssimo, 1011, no campus da Unicamp. Todas as atividades têm entrada franca.
Oficinas
Dança – Técnica Klaus Vianna – quintas-feiras, às 19 horas
Artesanato – Encontros entre fios e memórias, cores, panos – quartas – feiras, às 10 horas
Expressão corporal e Dança – 24 de setembro, das 15 às 18 horas
Aulas
Capoeira – Grupo Semente do Jogo de Angola – 2ª e 4ª feiras, 19 horas
Yoga – alongamento e respiração – terças-feiras, às 8h30
Cine Clube Casarão
E Aí? Qual É a sua Corrupção – curta metragem (10 minutos)
Produzido por adolescentes de Barão Geraldo. Direção Denise Tavares
O Cavalinho Azul – longa metragem (94 minutos)
Direção Eduardo Escorel
Quartas-feiras, às 10 e às 15 horas / Sábados – às 10 horas
Literatura
Sala de Leitura – empréstimo e leitura no local – de segunda a sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 14 às 16 horas; aos sábados, das 9 às 12 horas.
Encontro Anual de Capoeira Sementes do Jogo de Angola
Datas: 12, 14 e 16 de setembro
Horários: das 18 às 22 horas
Apresentação de Circo – Família Burg
Datas: 19 de setembro / 20 e 21 de setembro
Horários: 14 horas / 10 horas
Manifesta Maranhense – ensaio aberto das manifestações culturais do Maranhão
Data: 24 de setembro
Horário: das 18 às 22 horas
O Centro Cultural Casarão do Barão fica na rua Maria Ribeiro Sampainho Reginato, s/n, Terras do Barão – (19) 3287 6800
CPFL Cultura
Yo Si Tu No, um elogio a bobagem – Teatro Infantil
Data: 4 de setembro
Horários: 10 horas e 11h30
Os palhaços Chaveco e Azevedo conquistam os mais diversos lugares e pessoas com seu espetacular número de fogo! Dois parceiros de trabalho que, juntamente com o espectador, evidenciam que é impossível ser feliz sozinho!
Faça a Coisa Certa – Filme
Diretor: Spike Lee
Datas: 8 de setembro / 11 de setembro
Horários: 17h30 e 20 horas / 19 horas
As Sombras do Humano – Palestra
Data: 9 de setembro
Horário: 19 horas
Palestra da série “As razões do ódio”, de Luiz Felipe Pondé.
O Pássaro de Fogo – Música
Data: 10 de setembro
Horário: 20 horas
Evento da série “Stravinsky e o violento parto da modernidade”. Com Orquestra Sinfônica de Chicago, regida por Pierre Boulez. Projeções de concertos em DVD, com comentários sobre a obra, o compositor e os intérpretes, por João Marcos Coelho.
Academia de Palhaços se Apresenta – Teatro Infantil
Data: 11 de setembro
Horários: 10 horas e 11h30
Academia de Palhaços se Apresenta’ é um espetáculo que transporta o espectador diretamente das poltronas do teatro para a arquibancada do picadeiro.
Gangues de Nova York – Filme
Diretor: Martin Scorsese
Datas: 15 de setembro / 18 de setembro
Horários: 17h30 e 20 horas / 19 horas
O Fundamentalismo Islâmico –
Palestra
Data: 16 de setembro
Horário: 19 horas
Palestra da série “As Razões do Ódio”, de Luiz Felipe Ponde, com Igor Gielow. A partir de uma experiência de vida cotidiana entre grupos como os Talebans no Afeganistão e Paquistão, Gielow apresenta a geografia do ódio fundamentalista islâmico naqueles países.
A Sagração da Primavera – Música
Data: 17 de setembro
Horário: 20 horas
Evento da série “Stravinsky e o violento parto da modernidade”. Em duas versões: 1) com um bailarino-solo acompanhado pela versão para dois pianos; e 2) com o Balé de Leipzig, na versão original para orquestra. Projeções de concertos em DVD, com comentários sobre a obra, o compositor e os intérpretes, por João Marcos Coelho.
Dr. Plástico – Teatro Infantil
Data: 18 de setembro
Horários: 10 horas e 11h30
De forma lúdica e musical o espetáculo “Dr. Plástico” diverte, ensina, informa e emociona sobre o material mais usado nos dois últimos séculos de nossa história: o Polímero, popularmente conhecido como plástico.
Mississipi em Chamas – Filme
Diretor: Alan Parker
Datas: 22 de setembro / 25 de setembro
Horários: 17h30 e 20 horas / 19 horas
O Ódio no Brasil – Palestra
Data: 23 de setembro
Horário: 19 horas
Palestra da série “As Razões do Ódio”, de Luiz Felipe Ponde, com Leandro Karnal. O que na história e no cotidiano do Brasil nos leva ao ódio e à violência?
Sinfonia em 3 Movimentos – Música
Data: 24 de setembro
Horário: 20 horas
Evento da série “Stravinsky e o violento parto da modernidade”. Com Simon Rattle regendo a Filarmônica de Berlim. Projeções de concertos em DVD, com comentários sobre a obra, o compositor e os intérpretes, por João Marcos Coelho.
Butão – a menina e a joaninha –
Teatro Infantil
Data: 25 de setembro
Horários: 10 horas e 11h30
Criação inspirada pelo conto “A Menina e a Joaninha”.
Munique – Filme
Diretor: Steven Spielberg
Data: 29 de setembro
Horários: 17h30 e 20 horas
A Europa e o ódio ao “outro” –
Palestra
Data: 30 de setembro
Horário: 19 horas
Palestra da série “As Razões do Ódio”, de Luiz Felipe Ponde, com Dante Claramonte Gallian. Apesar do discurso constante contra a xenofobia, mantém-se entre grande parte dos europeus o sentimento de que os imigrantes são de alguma forma uma causa da deterioração de seu cotidiano.
A CPFL Cultura em Campinas fica na rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 – Chácara Primavera - (19) 3756-8000. Programação gratuita. Distribuição de ingressos tem início uma hora antes do início da sessão. Transmissões ao vivo pelo site www.cpflcultura.com.br/aovivo
Casa do Lago
Projeto Domingo no Lago
Data: 4 de setembro
Horário: 10h30
Apresentação de duas peças pelo grupo Troupe Per Tutti (“O Grande Mago D. Arkak” e “Ossos do Ofício, a comédia do trabalho”) e o Coral da Unicamp Zíper na Boca apresenta o concerto cênico “QUEEN Rhapsody”.
Primavera – Exposição
Data: de 19 a 30 de setembro
Horário: das 8h30 às 22 horas
A exposição de pinturas à óleo que a comunidade (funcionários, alunos e docentes) do Instituto de Química e outras unidades executam no horário do almoço, nas dependências do IQ.
Quintas com Cravo - Música
Data: 29 de setembro
Horário: 12h30
Orquestra Sinfônica da Unicamp – Música
Data: 29 de setembro
Horário: 18 horas
Espaço Cultural Casa do Lago fica na rua Érico Veríssimo, 1011, no campus da Unicamp. Todas as atividades têm entrada franca.
Edição 1 - Especial
Vai um pastel, aí?
O tradicional Pastel Mineiro, de carne seca com queijo, do Ponto 1, em Barão Geraldo, foi eleito o melhor tira-gosto de Campinas. Destaque no cardápio já há três anos, o pastel se diferencia pela massa, feita à base de fubá e super fina. O resultado é um petisco simples e saboroso que, de acordo com o chef e um dos sócios do Ponto 1, André Hernandez, vai bem com qualquer bebida.A receita é de família. Mas, como toda receita tem os detalhes que fazem a diferença (e nem sempre revelados), Hernandez conta que fez várias visitas estratégicas ao Mercado Municipal de Pouso Alegre (MG), cidade natal do pai, para tentar descobrir esses “segredinhos” no preparo. Ele recorda, com bom humor, que mesmo sendo insistente, o pessoal não contava e acabou chegando no ponto certo na base da tentativa e erro. “Estraguei muita massa até conseguir”, brinca.
Diferentes versões – Brincadeira séria, o pastelzinho que a tia preparava para a família, virou um dos principais petiscos do bar e com a conquista do primeiro lugar no concurso Comida di Buteco 2011, os pedidos quadriplicaram.
Oferecido em diferentes versões, o recheio inscrito no concurso foi o de carne seca com queijo, mantendo, assim, a tradição da receita. Hernandez ressalta que utiliza carne seca mesmo. Segundo explica, há uma variação do produto disponível que contém nitrato e nitrito, que auxiliam na obtenção da coloração avermelhada. “A que utilizamos aqui é carne seca pura. Sem a adição desses produtos químicos”.
Satisfeito com a conquista do primeiro lugar, Hernandez comenta que o prêmio é um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por todos. Isso porque, o Comida di Buteco avalia quatro quesitos: tira-gosto, atendimento, higiene do local e temperatura da bebida.
O vencedor é o estabelecimento que conquista a melhor média em todas as categorias. Como o concurso é de comida, o peso para o tira-gosto é 70% e para os demais itens, 10% cada.
“É legal participar. Só podem concorrer os estabelecimentos que estão com toda a documentação em ordem”, afirma Hernandez, acrescentando que outra vantagem é a visibilidade que os estabelecimentos acabam tendo.
Ponto 1
Rua Eduardo Modesto, 54 – Vila Santa Isabel
Telefone – (19) 3289 2378
Horário de funcionamento – de 2ª a sábado, das 17 horas à 1 hora
Música ao vivo – de 4ª a sábado
A receita do petisco
Para fazer a massa de fubá do pastel mineiro você vai precisar dos seguintes ingredientes:
500g de fubá (Yoki)
150g de polvilho azedo (Yoki)
1 colher de açúcar
Sal a gosto
600ml de água
1 ovo
1 xícara de leite
1 tablete de caldo de galinha
Modo de preparo:
1ª etapa – Misturar os ingredientes secos (fubá, polvilho, açúcar e o sal) e reservar.
2ª etapa – Misturar a água e o caldo e deixar ferver.
3ª etapa – Com a água fervendo, adicionar a mistura da 1ª etapa e mexer durante 10 segundos. Desligar o fogo.
4ª etapa – Misturar o leite e o ovo. Reservar.
5ª etapa – Deixar a massa da 3ª etapa descansar durante 15 minutos.
6ª etapa – Jogar a massa da 3ª etapa em uma superfície lisa e sovar. Adicionar, aos poucos, a mistura da 4ª etapa até obter uma massa lisa e firme.
Dicas do chef: Essa massa de fubá pode ser guardada na geladeira durante dois dias. O ideal é passar um pouco de óleo envolta da mesma e guardar dentro de um saco plástico. Para abrir a massa, utilizar um rolo, untando com farinha de trigo.
De mercearia a bar
E como surgiu o Ponto 1? A história começa com os pais e uma mercearia, lá pelo ano de 1978, instalada no mesmo local onde funciona o bar até hoje. Aos domingos, se chegava a vender 200 frangos assados. O público estudantil passou a ser mais frequente, com a construção da Moradia Estudantil da Unicamp no bairro, e o local naturalmente virou ponto de encontro, para comer lanches. Por volta de 1996, os filhos (Ademar, Alexandre e André) assumiram o comando. E, acompanhando as transformações da vida no Distrito de Barão Geraldo, a antiga mercearia, do tipo secos e molhados, virou um bar premiado. Antes do Comida di Buteco 2011, ele foi apontando como o melhor boteco da cidade pela revista Veja - Comer & Beber, no ano passado.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Edição 1 - Nossa Aldeia
Banca de Avenida Paulista em plena Santa Isabel
Referência cultural
No começo dos anos 90, Antônio Magalhães Almeida Prado, veio de São Paulo para Campinas em busca do mestrado em Física, na Unicamp. No entanto, uma placa de vende-se acabou por mudar o rumo de sua vida e hoje ele é responsável por um ponto comercial instalado em um dos cruzamentos mais movimentados de Barão Geraldo. Com a Banca Central, mais do que comercializar jornais e revistas, ele planejou um espaço diferenciado de apoio às atividades culturais.
“Havia uma banca instalada aqui. Daquelas bem antigas, pequenas, de ferro. Do tipo que o jornaleiro fica do lado de fora. E vi que tinha uma placa de vende-se. Parei ali na esquina da frente. Fechei os olhos e pensei: vou fazer uma banca de avenida Paulista”, lembra ele, apontando para a calçada do outro lado, em frente à praça, onde funciona agora um restaurante.
Passados 15 anos, o local é ponto de encontro e referência cultural. E ele, conhecido por quase todo mundo em Barão, como o Vico da Banca Central.
Os do contra
Vico ouviu muitas opiniões contrárias ao projeto, inclusive dos profissionais da área editorial. “Me diziam para não fazer, que não daria certo. Houve muita resistência no começo. Mas, eu não acreditava que não poderia dar certo, com todo esse potencial que há em Barão”, justifica.
Desde o início, com a banca, ele ajudou a divulgar apresentações musicais e saraus. Entrou em contato com os grupos de teatro de Barão e passou a vender ingressos dos espetáculos.
Periodicamente, contratava músicos para que tocassem ao lado da banca, cedeu espaço para declamações de poesias, promoveu um festival de quadrinhos e com a reunião de amigos, incentivou o carnaval de rua de Barão, resultando na criação do bloco Berra Vaca. O local já serviu como ponto de encontro da garotada que queria aprender, se aprimorar ou simplesmente brincar com as manobras do ioiô e, claro, para a tradicional troca de figurinhas aos sábados.
O forte do negócio
No entanto, vender jornais e revistas é o forte do negócio. “As bancas são ponto de referência de informação. Por isso, insisto para que o pessoal que trabalha aqui, comigo, leia”, afirma Vico. Afinal, explica ele, é muito comum as pessoas irem à banca para trocar ideias, conversar e discutir sobre assuntos da atualidade. Partindo do pressuposto que para trabalhar com informação é necessário estar bem informado, Vico acredita ser esse outro diferencial no atendimento.
Ele conta que sempre gostou de ler e desde criança era um frequentador assíduo de bancas. “É uma satisfação ter o retorno dos clientes. Isso é resultado de muito trabalho. Não é por acaso”, conclui.
Ir à banca para tomar um café expresso, conversar e, de quebra, comprar uma revista ou um jornal. Ou mesmo um charuto. E isso até passadas as 23 horas de um dia qualquer. Enfim, uma banca de avenida Paulista, no centro de Barão.
Referência cultural
Véronique Hourcade
A ideia foi plantada há quase 20 anos. E muita gente não acredita que poderia dar certo No começo dos anos 90, Antônio Magalhães Almeida Prado, veio de São Paulo para Campinas em busca do mestrado em Física, na Unicamp. No entanto, uma placa de vende-se acabou por mudar o rumo de sua vida e hoje ele é responsável por um ponto comercial instalado em um dos cruzamentos mais movimentados de Barão Geraldo. Com a Banca Central, mais do que comercializar jornais e revistas, ele planejou um espaço diferenciado de apoio às atividades culturais.
“Havia uma banca instalada aqui. Daquelas bem antigas, pequenas, de ferro. Do tipo que o jornaleiro fica do lado de fora. E vi que tinha uma placa de vende-se. Parei ali na esquina da frente. Fechei os olhos e pensei: vou fazer uma banca de avenida Paulista”, lembra ele, apontando para a calçada do outro lado, em frente à praça, onde funciona agora um restaurante.
Passados 15 anos, o local é ponto de encontro e referência cultural. E ele, conhecido por quase todo mundo em Barão, como o Vico da Banca Central.
Os do contra
Vico ouviu muitas opiniões contrárias ao projeto, inclusive dos profissionais da área editorial. “Me diziam para não fazer, que não daria certo. Houve muita resistência no começo. Mas, eu não acreditava que não poderia dar certo, com todo esse potencial que há em Barão”, justifica.
Desde o início, com a banca, ele ajudou a divulgar apresentações musicais e saraus. Entrou em contato com os grupos de teatro de Barão e passou a vender ingressos dos espetáculos.
Periodicamente, contratava músicos para que tocassem ao lado da banca, cedeu espaço para declamações de poesias, promoveu um festival de quadrinhos e com a reunião de amigos, incentivou o carnaval de rua de Barão, resultando na criação do bloco Berra Vaca. O local já serviu como ponto de encontro da garotada que queria aprender, se aprimorar ou simplesmente brincar com as manobras do ioiô e, claro, para a tradicional troca de figurinhas aos sábados.
O forte do negócio
No entanto, vender jornais e revistas é o forte do negócio. “As bancas são ponto de referência de informação. Por isso, insisto para que o pessoal que trabalha aqui, comigo, leia”, afirma Vico. Afinal, explica ele, é muito comum as pessoas irem à banca para trocar ideias, conversar e discutir sobre assuntos da atualidade. Partindo do pressuposto que para trabalhar com informação é necessário estar bem informado, Vico acredita ser esse outro diferencial no atendimento.
Ele conta que sempre gostou de ler e desde criança era um frequentador assíduo de bancas. “É uma satisfação ter o retorno dos clientes. Isso é resultado de muito trabalho. Não é por acaso”, conclui.
Ir à banca para tomar um café expresso, conversar e, de quebra, comprar uma revista ou um jornal. Ou mesmo um charuto. E isso até passadas as 23 horas de um dia qualquer. Enfim, uma banca de avenida Paulista, no centro de Barão.
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